meu destino
nasci no tempo errado
quando cresci,
ainda era menino
quando aprendi
a ser eu mesmo,
já estava desistindo
engraçado, só agora vi
e me peguei descobrindo
posso eu mudar meu destino?
quando cresci,
ainda era menino
quando aprendi
a ser eu mesmo,
já estava desistindo
engraçado, só agora vi
e me peguei descobrindo
posso eu mudar meu destino?
ouro de tolo
Deixa eu me explicar, que é meio difícil, mas dá para entender. Eu deveria ser o cara mais feliz do mundo, o ícone da alegria, mas sou um depressivo pessimista negativo. Analisando friamente, vamos aos fatos: sou saudável como um atleta, bonito como um descendente de italiano, não sou mais burro que os outros homens, já tive três profissões, conheço vários países, diversas belezas da humanidade, subi montanhas e desci cavernas, naveguei pelos oceanos, mares e rios, sou motorista, motoqueiro, Arrais e acredito que pilotaria até um bimotor sem problemas, fiz tanta coisa legal que nem me lembro de tudo. Minha família é unida e amável, minha esposa é linda e perfeita, moro numa quadra central de uma cidade tombada pelo patrimônio mundial, tenho carro, moto, apartamento e em breve um barco, sou escritor, com dois livros lançadas e muitas contribuições no novo palco mundial da cultura, a internet. Dei um monte de cabeças pela vida, que me ajudaram a firmar uma personalidade simples, porém nobre, honrada e muito peculiar. Esdrúxula, diriam alguns. Mas nada que perturbe a sociedade, são apenas hobbies ingênuos e divertidos. Sou preocupado em não perturbar o cidadão alheio porque sou anarquista. Concluí que entre todas as formas de organização social, a única que poderia manter um controle ponderável sobre as pessoas é a interna, ou seja, a própria consciência, civilizada e educada, pois é impossível coibir ações inconcebíveis para si, contudo aceitáveis para os outros. Também sou ateu, que quer dizer sem deus, pois é tolice imaginar alguma espécie de consciência superior que esteja monitorando as almas na terra, já que se fosse assim, tal consciência, o deus, seria perverso, mesquinho e vingativo. Acredito que há energia nos seres vivos, em todos, e cada um deles participa de alguma forma de uma união dessas energias como um observador da realidade, fazendo com que ela exista pelo fato dele estar ali a observando. É a velha filosofia da pergunta “a árvore cai na floresta se não tem ninguém olhando?”, em que a resposta é “sempre tem alguém olhando, nem que seja um micróbio”. Pura física quântica. Já que todos - tudo que é vivo - participamos de uma mesma força, a Força, da lenda moderna Star Wars, dos jedis e darth vader (as lendas antigas eram de Hércules, filho de Zeus, um semideus... nem tão diferente, né?), por que eu não deveria acreditar em algo mais natural, lógico e muito mais justo? Afinal, assim como na vida, na Força há o bem e o mal, a gente toma o caminho que quiser, na verdade ficamos sempre variando de um lado para o outro, às vezes somos maus mesmo sem querer, é dose. Até tatuei um símbolo dos rebeldes do filme no braço. Faço todas as coisas que quero, do jeito que posso, quando dá, mas uma hora sempre alcanço. Enfim, sou um cara bacana. Claro que tenho um monte de defeitos, incontáveis, e também faço um monte de merda, algumas ilegais, imorais e pouco engordantes (é, tô sarado prum trezoitão), mas nenhuma ofende a outro alguém além de mim. É a tese de enfiar os dedos no cu e rasgar: se alguém quer fazer isso, por que outro se acharia no direito de impedir? Lassez faire lassez passez, os franceses têm razão. Anarquia de novo. Mas como eu dizia, tenho tudo de bom mas sou um desgracento, acho o mundo um saco e não acredito no final feliz. Por que, Caracas, por quê? Eu deveria dar graças a qualquer deus pela minha vida, por tudo que já fiz e tive, pelo que sou, mas não tô nem um pouco satisfeito. Nem um tiquinho de nada, é como se eu não fizesse parte desta realidade.
Daí minha cabeça tava um caco. Tirei férias, praia, mas não uma qualquer, caribe, com a patroa, a mais gostosa das ilhas, buzinavam mesmo comigo ao lado. Descansamos em hotéis com cassinos, em frente ao mar, Venezuela, Curaçao e Aruba, mergulhamos, voamos de Bandeirante da Embraer, uma aventura maravilhosa, e barata, pois a gostosa, quer dizer, a patroa é agente de viagens e conhece todos os atalhos, porém lá no fundo da minha cabeça uma voz entediada ficava repetindo normal, normal. Por que, Caracas, por quê? Eu deveria ter me encantado, tanto quando fiquei com as iguanas, enormes e coloridas. Mas não, eu queria mais. Mas, o quê?
Na volta, num apertado vôo de 10 horas da TAM de volta pro Brasil, escutei a música Ouro de Tolo do Raul Seixas no fone do avião. Tem uma parte que é “eu devia estar contente” que Raul repete várias vezes, com diversos exemplos engraçados, em que logo identifiquei com a minha depressão, e quase ao final canta “E você ainda acredita / Que é um doutor / Padre ou policial / Que está contribuindo / Com sua parte / Para o nosso belo / Quadro social...”. Versos visionários. Me abriram os olhos (do meu olho que vê) num tapa. Descobri o motivo da minha depressão, da insatisfação, dessa tristeza ilógica que me consumia, sugando quaisquer sentimentos de esperança ou expectativa para as coisas. No fundo, não consigo ser alegre o tempo inteiro (isso é Wander Wildner) pelo simples fato de existirem pessoas miseráveis nas ruas, a mesma sensação infantil do episódio em que a Lisa dos Simpsons também fica tristonha pelos miseráveis e toca blues pelas pontes até conhecer um velho mestre – tocamos blues não para nos sentirmos tristes, mas para entristecer os outros e os fazermos se sentirem como nós (o episódio também passou no avião). É uma loucura, mas eu acredito na Força, não posso mudar minha personalidade, e penso que se todos fossem mais satisfeitos, a felicidade não apenas se somaria, mas se multiplicaria. Algo como a paz mundial das misses venezuelanas (não vi nenhuma em Caracas). Sabendo tudo isso como sei, percebi que eu queria fazer alguma coisa pela humanidade, mas não sou idiota a ponto de achar que seria capaz de mudar alguma coisa (o tal ouro de tolo, pois os doutores sempre são prepotentes em achar que fazem o certo - ? - e contribuem para o belo quadro social). Minha tristeza é não estar ajudando a construir uma sociedade melhor para o futuro (se é que sobreviveremos a 2012). Quero dizer é que gostaria de fazer mais pelo meu irmão humano (até já tinha entrado no PV e pro Greenpeace.), mesmo que ele como espécie seja execrável. Talvez, se evoluíssemos em pensamentos e ações, se eliminássemos as barreiras, permitíssemos a diferença, os profetas cristãos, muçulmanos e orientais pudessem estar certos, talvez Nietzch, com seu super-homem melhorado, também seja um visionário, não podemos ser medrosos e deixar só os maus agirem, temos que fazer algo para melhorar, a tudo e a todos. Talvez eu também deva tentar, mesmo me achando um tremendo orelha profissional e socialmente. Era este objetivo que me faltava, o meu ouro de tolo, um eldorado pessoal, uma missão impossível particular, em que devo batalhar com força para conquistar ... a paz mundial. A forma de fazer isso é melhorar o homem. A única maneira é nos respeitando uns aos outros, um pensamento tão comum em meios religiosos, e para que seja assim a humanidade deverá evoluir. Um trabalho hercúleo até prum jedi. Uns diriam ser impossível, outros lembrariam a história do sapo surdo que subiu a montanha pois não escutou ninguém o desacreditando. Não sei, só sei que tentar ajudar a humanidade me fará feliz. E o que me falta é apenas essa esquecida felicidade, tão desprestigiada no mundo capitalista. Portanto, vou tentar.
Mas como? Bem, o primeiro passo é esta cronicona (se você chegou até aqui, uau, ta funcionando), em que explano supimpamente (Eduardo Almeida Reis, te enviarei esta) meu plano de dominação mundial através da liberdade, do amor e da Força.
Ah, os versos finais da música do Raul são assim:
“Porque longe das cercas
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...”
Embandeiradas
Que separam quintais
No cume calmo
Do meu olho que vê
Assenta a sombra sonora
De um disco voador...”
Eu também acredito que ao final, feliz, viajaremos pelo espaço em discos voadores povoando novos paraísos.
ê viagem.
qual o sentido da vida senão conhecer coisas, lugares, gentes e idéias?
assim, como será caracas? e curaçao, será que tem realmente o blue? aruba é pra ariba ou abajo?
bem, veremos. inté a volta.
assim, como será caracas? e curaçao, será que tem realmente o blue? aruba é pra ariba ou abajo?
bem, veremos. inté a volta.
Porão do Rock 2009 – um encontro de amigos
Estive em quase todos os festivais Porão do Rock, desde a época da concha acústica, e sempre penetrei na zona VIP (hehehe), a maioria das vezes com convites válidos, presentes de generosos e diversos contatos, sei lá o motivo, pois nunca fui da “cena”, muito menos jornalista ou “agitador cultural” de alguma coisa, só um orêia que gosta de roquenrou. E elogia quem o faz bem feito (sem esquecer de meter o pau em quem faz merda, é claro). Tudo na maior sinceridade.
Era esse meu espírito ao comprar a primeira cerveja no Porão de 2009, que completava 10 anos prometendo surpresas. Busquei com os olhos o lugar e me situei no espaço, mas não no tempo: ao lado do palco principal, uma grande lounge com sofás cobertos de coquetes e performáticos emo-rockers; atrás, mesas repletas de gentes com couros, camisas de bandas e cabelos escrotos, quase um bar familiar e, por fim, o balcão em que eu já fazia amizade com o barman da cerveja (o baixinho, um incorruptível que não liberou nem uminha). Eu estava satisfeito, escutando boa música e papeando com pessoas que tinham o meu gosto pras coisas, principalmente no que trata de respeito às diferenças. Que Porão era este mesmo? 2006 ou 2002? Vi a rodoviária (sem as luzes de natal) e lembrei que estávamos na Esplanada, o dèja vu se desfez definitivamente aos acordes de alguma banda furiosa. Sim, o Porão era diferente a cada ano mas permanecia igual na essência libertária.
No sábado, o que mais gostei foi do sopapo que um “fadista” travestido de roqueiro levou do sujeito que provocava. Foi bem feito, ali não era o lugar para implicâncias ou rixinhas burguesas, o festival se propôs a ser gratuito exatamente para unir as diversas tribos num ambiente meio Woodstock, exaltando a união fraternal através da rebeldia do rock, não o contrário, com revoltazinhas sem causa ou de motivo torpe. O embate aconteceu logo após a coletiva do Eagles of Death Metal, em que a tradutora Pennylane se recusou a transmitir a minha pergunta: vê se o vocalista bigodudo bebe sopa. Era um espanto aquele monte de pêlos.
O domingo foi o auge da festa. Cheguei de bermuda e chinelo, era como relaxar no quintal de casa, cercado por velhos e novos amigos. “Giovani Casanova não faria melhor”, soou das caixas de som, Escola de Escândalos era a única banda que eu nunca assistira ao vivo, coincidindo o momento da minha chegada com a música que cita meu nome. Inventei em meus neurônios que foi uma saudação da Força, e gostei, estava mais uma vez num ambiente perfeito, num dia perfeito, escutando um som perfeito, cercado de gentes perfeitas. Poderia ser melhor?
Sim, poderia. E o arrebate sensorial deu-se com o telão anunciando a morte de Renato Russo em 96, depois a banda se reunindo novamente, umas cenas naquela manhã, e o palco se iluminando com a Legião Urbana: Dado e Bonfá, acompanhados de compatriotas. Alguns críticos cretinos tentaram desmerecer esta volta da banda à cidade, desde o fatídico show no Mané Garrincha em 1989, mas não passou de mágoa de gente invejosa. No palco, o delicioso som minimalista (quase infantil) da Legião cantarolado em coro pelo público e acompanhado por diferentes vocalistas. Neste show, as memórias de vinte anos da juventude romântica de Brasília se elevaram numa comemoração alegre e madura.
O evento teve seus momentos esdrúxulos, como a libélula saltitante que cantou a primeira música da Legião, o estereotipado vocalista da Plebe Rude tentando se comparar à maior banda do Brasil (“a plebe também é legal, né, gente?” – não, xará, ela mofou, igual ao radicalismo punk dos anos 80) ou o palco Pílulas perdido atrás da estrutura principal, embora em nada atrapalharam a festa
A lembrança da raiz roqueira dos anos 90 fez pulsar meu sangue, tanto, que o derramei fartamente, numa espécie de ritual em homenagem ao festival, durante o show do Mascavo. Na verdade, foi uma sacana e afiada latinha de cerveja que quase amputou a ponta do meu dedão, um dano irrisório se comparado ao prazer de estar mais uma vez participando da maior celebração candanga do rock.
- vida longa ao Porão!
33º sarau da câmara dos deputados
terça, 29/09, na sala Martin Pena do Teatro Nacional, mais um sarau da câmara dos deputados. lerei o penúltimo texto, quase à hora do coquetel. apareçam!
crônica brinde da saudade
Dia desses acordei com o latido do meu cachorro. Ele parecia gritar “acorde” ao meu ouvido. Talvez quisesse que eu abrisse a porta para fazer um xixizinho no quintal, Xandó sempre foi muito esperto.
Estiquei as pernas na cama, para conferir se ele ainda estava deitado aos meus pés como nos últimos 19 anos. Nada. Devia ter conseguido descer o velho e pequeno corpo de pêlos negros, agora grisalhos, a despeito da cegueira da idade. O problema é que se perdia no vão entre portas e paredes. Gania confuso. Para resgatar meu amigo do incômodo, pulei da cama e fui procurá-lo.
Nessa hora me vi no apartamento onde moro, ao lado da minha adormecida esposa. Fiquei confuso, pensava que ainda vivia com meus pais e Xandó podia se machucar descendo as escadas do quintal, eu precisava ajudá-lo a se aliviar nas plantas. Admirava sua masculinidade em sempre levantar a perninha, mesmo que não conseguisse mais se equilibrar nas outras 3 patas. Eu o apoiava e ele me agradecia com o olhar mais simpático que já recebi.
Em pé, no quarto ainda escuro do apartamento, me lembrei a data: era 9 de setembro de 2009. Meu amigo Xandó havia falecido 10 anos antes.
Decidi fazer um xixizinho. Enfiei uma bermuda e, descalço, desci ao térreo. O dia ainda não iluminava. Andei sobre a grama, me posicionei em frente a uma árvore, levantei a perna e urinei. Profundamente. Depois, me virei e raspei os pés para trás no chão, para enterrar o xixi, igualzinho ao que Xandó fazia, ele era muito asseado.
Sorri, e chorei de saudade, ao completar esse “brinde” ao meu velho amigo. Sua fidelidade era tamanha que ainda o sinto dormindo aos meus pés.
jurado
estou sendo jurado no concurso Feliz 10 anos para você do Terraço Shopping. a fábia galvão me entrevistou para o site Amor, leva minha sacola? ficou bem legal. confira.
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a foto do dia do juri e os vencedores.
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a foto do dia do juri e os vencedores.
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